Esta semana ia
propor-lhe os encantos da Capadócia, terra de fixações e antigos
sonhos, mas um olhar mais atento à actualidade desaconselhou-me a opção.
No que respeita a destinos, os últimos dias têm, aliás, sido férteis em
recomendações. Detenho-me em duas: não voltar costas à nossa vocação
atlântica e não desbaratar divisas no exterior.
Ora, como o bom
senso ordena que, sobretudo em tempo de crise, se não desprezem os bons
conselhos, resolvi aplicá-los às férias e assumir o desafio: ir para
fora sem ser "cá dentro", privilegiando os países na rota das nossas
antigas relações oceânicas e - fundamental! - sem gastar dinheiro à
conta da viagem. Solução: férias em Cabo Verde em regime de voluntariado
para a Fundação Tartaruga. Comece a fazer a mala que eu explico no
caminho.
À borla em troca de ajuda
Precisa
de ter mais que 18 anos, gostar de praia e vida ao ar livre e estar
disposto a ajudar a Fundação Tartaruga em várias actividades de
conservação destes animais. Preenchidos os requisitos, esta é a oportunidade perfeita para
juntar o útil ao agradável, permitir-se uma experiência única e umas
férias diferentes e baratas.
Além do bilhete de avião, que
encontra a preços-pechincha em vários operadores, só tem que contribuir
com 12 euros diários para ajudar nos custos de estadia porque,
alojamento, alimentação e despesas logísticas estão incluídos.
São
obrigatórios seguro médico e de viagem e a duração mínima para se
voluntariar no projecto são duas semanas, mas os estagiários podem
contar com seis.
Cinco praia e tarefas à escolha
A
Fundação actua em cinco praias na ilha da Boavista, com projectos em
Curral Velho, Fundo das Figueiras e Boa Esperança. Serão esses areais,
banhados por águas cálidas, que lhe servirão de cenário às férias e à
colaboração. As tarefas são múltiplas e animadas: das
caminhadas-patrulha em busca de ninhos, à contagem de ovos, passando
pela recolha de dados, acompanhamento de turistas, apoio em actividades
de lazer e sensibilização junto de escolas, unidades balneares e
hoteleiras.
Pode colaborar a fazer cartazes, a mapear e sinalizar
locais, participar em escavações, acções de limpeza de praia, mergulho,
workshops, jogos e peças de teatro organizadas para envolver as
comunidades locais.
Viu? Ainda bem que fez a mala: as tartarugas e
o oceano não precisam do seu dinheiro para lhe agradecer o contributo.
Formulário de inscrição, guia do voluntário, mapas, contactos e
informações em: turtle-foundation.org.